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Informe-se sobre os seus antibióticos

10:00:00


Por Sónia Teles*

O uso racional dos antibióticos tem estado na ordem do dia. Esta ferramenta terapêutica destina-se, apenas, a infeções bacterianas. Aqui reside a principal lacuna de informação na população em geral. Segundo dados recentes do Eurobarómetro, 60 por cento dos portugueses acreditam que os antibióticos atuam sobre os vírus e 50 por cento acham que as gripes e constipações se tratam com antibióticos. Estas convicções erradas levam os doentes a exercer pressão sobre os vários profissionais de saúde para a prescrição e dispensa de antibióticos quando apresentam sintomas destas patologias. É preciso usá-los de forma racional. Em Portugal, a situação até tem evoluído. Porém, ainda há muito a melhorar. Fala-se da resistência aos antibióticos, principalmente a nível hospitalar, onde aparecem infeções multirresistentes. Resistência é o fenómeno que ocorre quando as bactérias deixam de responder a um antibiótico antes eficaz. As bactérias é que são resistentes aos antibióticos e não os doentes. Estes podem ser portadores de um tipo de bactérias resistentes, podendo transmitir essas bactérias aos outros. Como o desenvolvimento de novos antibióticos é lento, a melhor maneira de prevenir as resistências é a correcta utilização dos antibióticos. É essencial tomá-los apenas quando forem prescritos; as doses e o intervalo devem ser respeitados; o tratamento deve ser feito até ao fim, mesmo quando há melhoria dos sintomas; e nunca se deve voltar a tomar um antibiótico que sobrou do passado.
Cada um de nós tem um importante papel a desempenhar neste assunto, quer sejamos médicos, farmacêuticos ou doentes.

*farmacêutica e escreve na revista gira.

Aproveitar o sol com saúde

06:00:00

Os dias quentes de verão levam-nos a passar mais tempo fora de casa em atividades ao ar livre. E apesar de estarmos a caminho do fim desta estação, é bom continuar atento aos raios ultravioletas (UV). Seja na praia, desporto, passeios, caminhadas, ou simplesmente descansar numa esplanada, o sol está sempre presente, mesmo no outono ou no inverno. O sol tem imensos benefícios psicológicos, fisiológicos e estéticos. Quem não anseia pelo tom bronzeado que a pele adquire depois de alguns dias de férias num destino soalheiro?! Infelizmente, a exposição abrupta, prolongada e sem protecção solar adequada pode trazer alguns problemas. Como sejam as queimaduras solares, o eritema solar (usualmente chamado de alergia ao sol) ou o fotoenvelhecimento cutâneo precoce que se manifesta com o aparecimento precoce de rugas e rídulas, manchas de hiperpigmentação (acastanhadas) ou de hipopigmentação (brancas). Estes problemas podem potenciar, anos mais tarde, o aparecimemento de melanomas (cancro de pele). A boa notícia é que, com os cuidados adequados, estas situações desagradáveis podem prevenidas. E, em qualquer altura, podemos exibir um bronzeado saudável de fazer inveja.
Assim, podemos resumir os cuidados com a exposição solar da seguinte forma:
- A exposição deve ser gradual e progressiva.
- A pele deve ser protegida com protetor solar com factor ≥ a 30. Mesmo as pessoas morenas, que se bronzeiam com facilidade sem se queimarem, devem proteger-se com este factor porque não estão imunes aos outros malefícios do sol.
- Mesmo com proteção solar devem-se evitar as horas mais perigosas, entre as 12h e as 16h ou, idealmente, entre as 11h e as 17h. Atenção a quem viaja para os trópicos que os horários são ligeiramente diferentes. Em caso de dúvida, pode-se seguir a regra da sombra, quanto maior for a nossa sombra mais segura será a exposição solar.
- O protetor deve ser colocado corretamente. O ideal é aplicar em casa antes de nos vestirmos e, pelo menos, 30 minutos antes da exposição solar. A quantidade que se aplica também é importante. Deve-se espalhar o produto e não esfregar afincadamente para não diminuirmos a eficácia.
- Deve ser reaplicado a cada duas horas, após banhos de mar ou piscina ou em caso de transpiração excessiva quando se pratica desporto.
- Deve-se ter em conta o prazo de validade depois de aberto. Os protectores solares duram, no máximo, 1 ano depois de abertos. Nas embalagens encontramos este símbolo


O número que está inscrito corresponde à duração depois de aberto.
- Mesmo se estivermos à sombra, devemo-nos proteger. As superfíceis que nos rodeiam reflectem a radiação solar atingindo-nos mesmo na sombra. Por exemplo, a areia seca reflecte 20 por cento dos UV mas a areia molhada reflecte 40 por cento dos UV. A água reflecte até 50 por cento e 80 por cento passam através das nuvens logo nos dias nebulados também se deve colocar protector solar.
- Para compensar as agressões que a pele sofre com o sol, e para desenvolver um bonito bronzeado, a pele deve ser bem hidratada.Várias marcas dispõem de óptimos produtos compensadores para a pele do rosto e do corpo. Estes cuidados podem-se prolongar para além da época da praia.

Espero que estes pequenos conselhos sejam úteis para quem ainda não foi de férias. Para quem já regressou ao trabalho, espero que continuem a aproveitar, da melhor maneira, estes belos dias de Verão mas com saúde. Para mais informações, pode-se consultar a página da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo.

Sónia Teles é farmacêutica e escreve na revista gira sempre aos dias 9 e 23 de cada mês.

Viver entre margens

12:58:00

As minhas raízes são do Alentejo mas, pelos acasos da vida, nasci e cresci entre as duas margens do Tejo. Quando os meus pais casaram ficaram a morar ali, na outra margem, em Samora Correia, porque o meu pai já trabalhava em Vila Franca de Xira. E, num fim de tarde do mês de Julho de 1974 nasci eu, aqui mesmo em Vila Franca de Xira. Era sexta-feira e a Festa do Colete Encarnado estava a começar. Um início de vida completamente ribatejano. Apesar de viver em Samora, Vila Franca fez sempre parte da minha vida. Era aqui que se vinha fazer compras porque havia mais variedade e opções no comércio vila-franquense. Curiosamente, não era habitual virmos ao Colete Encarnado mas a Feira de Outubro era imperdível. Guardo gratas recordações das tardes de domingo passadas na Feira.
Como vinhamos cá com frequência, um dos locais onde eu gostava sempre de ir era o Jardim Constantino Palha. Fazia birra se não me levassem lá. Adorava ir ver os animais que havia, antigamente, no jardim. Os meus preferidos eram os pavões. Ainda hoje, o Jardim Constantino Palha é um dos meus lugares favoritos. Quando a minha vida profissional me permite, vou até lá e sento-me, virada para o Tejo, com um bom livro por companhia.
Quando acabei o curso de Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, tive a felicidade de vir estagiar para a minha farmácia preferida de Vila Franca de Xira onde comecei a trabalhar, efectivamente, alguns meses mais tarde. Cá continuo, 17 anos depois. A teoria aprendi em Lisboa, sim, mas foi aqui que me fiz farmacêutica.
É um privilégio fazer o trajecto para o emprego através da lezíria, atravessar a ponte e encontrar uma cidade luminosa. Esta terra faz parte de mim tanto quanto eu faço parte dela. As gentes de Vila Franca são as minhas gentes. Depois de tantos anos, já sou mais desta margem do Tejo.